Dez previsões de Dave West para o mundo ágil

27 de fevereiro de 2020


Dez previsões de Dave West para o mundo ágil

Autoria: Carlos MAGNO da Silva Xavier (Doutor, PMP) - Diretor da Beware.

Dave West em seu artigo para a Information Week, apresentou suas dez previsões para o Agile. Eu vou listá-las aqui e fazer meus comentários em cada uma. Sugiro a leitura de cada previsão no  artigo original antes de ler meus comentários.

1.Aumento do uso do Scrum e do Agile fora do desenvolvimento de software / produtos

Meu comentário: este aumento já vem ocorrendo, principalmente no desenvolvimento de novos negócios. Um exemplo em projetos de marketing eu apresento no meu livro “Gerenciamento de Projetos de Marketing

2. O fluxo será integrado

Meu comentário: concordo que os fluxos de processos de negócios e do desenvolvimento ágil em projetos tenderão a ficar, cada vez mais, integrados.

Tenho, inclusive, um artigo com a sugestão de um “Escritório de Processos e Projetos”.

Além disso, o uso de Kanban já é uma realidade em diversas empresas, para o acompanhamento do trabalho, seja em quadros físicos e/ou em aplicativos como Trello e Jira.

3. As pretensões de mudanças organizacionais substituirão a renomeação dos modelos existentes

Meu comentário: realmente, não é nomeando uma equipe de squad, por exemplo, que faz com que a cultura ágil seja absorvida. A cultura ágil deve ser da organização e não de um time.

4. "Projeto para produto" se tornará popular

Meu comentário: muitas organizações já estão tratando o desenvolvimento ágil, no desenvolvimento de produtos, como rotina e não como projeto. Isso leva à não existência, nesses casos, do papel do gerente de projeto, sendo o gerente de produto responsável, como Product Owner, pela retorno do investimento de cada sprint, e o Scrum Master responsável pela facilitação e cumprimento do processo ágil.

5. O Design Thinking e o Lean UX sairão do estúdio

Meu comentário: o foco agora, mas do que nunca, é no negócio e, portanto, no atendimento às expectativas do cliente. O design thinking e o lean UX são excelentes ferramentas para o entendimento dessas expectativas.

6. O orçamento continuará retardando a adoção do pensamento ágil

Meu comentário: No Brasil ainda estamos com o mercado indo bem devagar, o que limita sim o investimento em treinamento e outras ferramentas de change management. Coloco uma questão adicional que é a cultura vigente de contratação de terceiros com base no contrato de preço fixo, o que fica prejudicado no caso do desenvolvimento ágil, que parte do princípio da evolução adaptativa do escopo.

7. As métricas de valor escaparão vagarosamente para uma natureza selvagem

Meu comentário: as empresas estão tendo muitas dificuldades no estabelecimento de métricas. Sem dúvida o foco em valor para o negócio deve s

8. O debate entre o Agile Coach e o Scrum Master irá continuar

Meu comentário: a definição de papeis e responsabilidades na equipe ágil tem sido alvo de muitos debates. Em alguns casos, onde há a possibilidade de compartilhamento do recurso em mais de uma equipe, pode até ser possível ter os dois atuando, pois considero que devam ter atuações complementares, um mais hard skill e o outro mais soft skill.

9. Todos continuarão a falar sobre Agile

Meu comentário: não precisamos ter bola de cristal para fazer essa previsão, mas posso prever que continuaremos a ter implementações equivocadas de métodos ágeis, alguns “Scrulambados”.

10. O aumento da demanda encontrará o mercado de trabalho em falta

Meu comentário: No Brasil estamos vivenciando uma alta taxa de desemprego. Por isto, temos uma quantidade enorme de pessoas querendo entrar nesse mercado. Porém, sem a devida experiência. Certificações pela Internet e cursos altamente teóricos acabam não qualificando adequadamente os profissionais.

Sobre o autor:

Carlos Magno da Silva Xavier ( Doutor, PMP)

Carlos Magno Xavier

Diretor da Beware - magno@beware.com.br

Carlos Magno da Silva Xavier foi eleito, em 2010, uma das cinco personalidades brasileiras da década na área de gerenciamento de projetos. É Doutor pela Universidad Nacional de Rosário (Argentina) e Mestre pelo Instituto Militar de Engenharia (IME). Sócio-Diretor do Grupo Beware, sua experiência profissional, de mais de vinte e cinco anos, inclui a consultoria na sistematização do gerenciamento de processos, projetos, programas e portfólio em várias Organizações (TIM, Eletronuclear, BR Distribuidora, Eletropaulo, Marinha do Brasil, Iguatemi, Emgepron, SESC-Rio, Petrobras e outras).

Magno é também autor/coautor de dezoito (18) livros, dentre eles “Metodologia de Gerenciamento de Projetos – Methodware” – eleito em 2010 o melhor livro brasileiro da década na área de gerenciamento de projetos. É certificado “Project Management Professional” (PMP) pelo Project Management Institute (PMI) e professor de MBAs da Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral e UFRJ.

 

 

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